Heresia
Para melhor compreendermos a heresia no contexto histórico devemos buscar uma definição, a primeira premissa para a definição de heresia é que, deve existir um sistema religioso organizado, para que este possa fazer a definição de heresia. Ou seja, será considerado heresia tudo aquilo que for proposto e pensado dentro de uma religião que entre em conflito com a ordem religiosa estabelecida – ortodoxa. Propostas de novos dogmas, de diferentes interpretações podem ser consideradas heresias, mas isto pode variar de acordo com o contexto, não necessariamente toda mudança é considerada herética, porém os reformadores vão ter que percorrer uma linha ténue entre ser julgado como herético ou obter a beatificação. “É justo dizer que alguns grandes heréticos foram na verdade, reformadores que falharam, do mesmo modo que alguns grandes santos estiveram bastante perto de se tornarem hereges”. Como a definição de heresia pode ser relativa, mediante a certas circunstancias, o objetivo final de se afirmar uma heresia seria então a defesa da ordem pré estabelecida. Um exemplo de como a conceituação pode ser adaptável no decorrer do tempo é a ordem franciscana, “ a ala radical da Ordem dos Franciscanos dos séculos XIII e XIV (os chamados Spirituali, ou, mais tarde, Fraticelli) sustentava que a pobreza total era condição necessária para a vida perfeita, cujo modelo nos havia sido dado por Jesus Cristo e pelos Apóstolos. Depois desta afirmação ter sido condenada por Clemente V e João XXII (o ideal franciscano de pobreza tinha sido anteriormente satisfeito através da inteligente decisão do papa Nicolau III, que declarava que todas as posses da Ordem eram propriedades da Igreja), tornou-se de facto herética, e a perspectiva ortodoxa nasceu a partir desta heresia.” O herege então seria aquele que propõe uma mudança de dogma religioso, e esta mudança por sua vez entra em conflito com interesses pré estabelecidos. Vamos estudar a heresia dentro da perspectiva cristã, uma questão fundamental que devemos ter em mente é que para se condenar um herético havia um certo bom senso, por exemplo; uma pessoa que por ventura tivesse expresso uma opinião herética, só seria condenado como herético se não aceitasse que a sua ideia era então herética, então comumente o herético considerava o ortodoxo também como herético. Portando aqueles condenados por heresia pela ortodoxia seria os indivíduos mais determinados a defender a sua ideologia.
Agora iremos pensar no modo como a organização religiosa lida com as heresias, se formos abordar esta instituição religiosa e inseri-la em um contexto social e econômico, vamos conseguir observar que podem também influir outras correntes variáveis para se definir uma heresia e não somente aquela moral e ideológica, como superficialmente somos levados a acreditar. Porém com a reflexão e um olhar mais aprofundado na sociedade vigente, podemos enxergar outras possibilidades, econômicas e sociais talvez, ou seja uma insatisfação social pode ajudar a prosperar uma corrente ideológica considerada herética pela ordem estabelecida. Então cabe a instituição para fim de se defender e se manter no controle, determinar quais são os perigos desta ou daquelas heresias, qual efetivamente podem prejudicar a estrutura. Basicamente após este veredito cabe agir de duas formas, a primeira é, destruir completamente aquela heresia inaceitável, que de maneira alguma ira favorecer a instituição, muito pelo contrário a ameaçando. Com esta alternativa a igreja ira agir com todos os métodos para silenciar o herético, desde pressões politicas, até mesmo condenações a morte. Uma outra alternativa é conhecida como domesticação, ou seja, tirar proveito de ideias heréticas, talvez uma conciliação quando não há outras alternativas se as pressões populares forem elevadas talvez.
Arianismo
Arianismo foi uma interpretação do cristianismo, pensada por Ário, bispo de Alexandria, na concepção de Ário, Jesus Cristo não seria da mesma substância de Deus, e sim apenas um homem exemplar, ou um semideus. Esta concepção era conflituosa com a concepção ortodoxa cristã que aceitava a concepção da santíssima trindade, ou seja, Pai - Deus, filho – Jesus e espirito santo, pertencentes a mesma substância ou seja a uma única coisa – Deus. O bispo de Alexandria propôs a sua concepção durante uma reunião na presença de Alexandre, onde podemos observar na seguinte fonte história:
“A Pedro, bispo de Alexandria, depois de ter sido martirizado na perseguição de Diocleciano, sucedeu Àquilas na sede episcopal. Depois de Àquilas ocupou sede, durante a mancionada era de paz. Alexandre, que com seu modo impávido de tratar as coisa, unificou a igreja. Em certa ocasião, reunidos seus presbiteros e clégidos, esboçou Alexandre uma consideração um tanto ousada sobre a Santíssima Trindade, aventurando-se numa explicação metafísica da Unidade da Trindade. Um dos presbíteros de sua diocese, de nome Ário, homem exercitado na dialética, entendeu que o bispo estava as doutrinas de Sabélio, o líbio. Levado pelo gosto da controvérsia, esboçou pareceres absolutamente apostos as do líbio, refutando energeticamente os pontos de vista do bispo. “Se Deus Pai gerou o Filho, dizia, o que foi gerado teve um começo de existência, pois é evidente que houve (um tempo) quando o Filho não era. Daí concluiu-se, necessariamente, que teve a existência a partir do não existente”
(Sócrates, História Eclesiática: I, V, apud: Frangiotti. R: Histórias das Heresias, séculos I-III, São Paulo, Paulus, 1995, pp. 86)
Ário então expulso de Alexandria, acusado como herege, pois esta concepção ameaçava o poder hierárquico do clero, pois o que legitimava esta hierarquia era o texto bíblico que dizia que Jesus Cristo, havia dado autoridade aos apóstolos para (expelir demônios, curar, e difundir a sua doutrina) e esta autoridade passada assim para os Bispos. Com a sua expulsão Ário migrou e teve sucesso em difundir a sua concepção para outros povos, Ário permitiu que esta concepção tomasse a mente de quase todos os cristãos visigóticos.
A heresia ariana foi uma das principais combatidas pela ortodoxia, os hereges arianos foram então perseguidos e muitos de seus representantes acabaram mortos.
Pelagianismo foi uma heresia pois se recusava a ideia do pecado original, ou seja o pecado que todos os seres humanos carregam por serem descendentes de Adão e Eva, que na cosmovisão cristã teria cometido o pecado de comer a fruta do conhecimento, indo de encontro com a ordem de Deus, nesta concepção este primeiro pecado seria passado de geração em geração através do sexo. Pelágio acreditava que o homem nascia livre, e que a salvação viria por meio do próprio homem e não seria necessário uma graça divina. Isto poderia ser a ruína da igreja pois se a salvação não dependesse de Deus e sim dos atos de benevolência dos homens, a igreja poderia então ser inutilizada, pois seria desnecessária. Podemos observar a essência desse pensamento na fonte a seguir:
“todas as coisas boas e más, que nos tornam dignos de louvor ou de censura, são feitas por nós, e não nascidas conosco. Não nascemos completamente desenvolvidos, mas capacitados para o bem e para o mal: fomos concebidos tanto sem virtude como sem vicio e, antes da atividade de nossa vontade pessoal, nada há em nós exceto aquilo que Deus depositou em nós”
(Pelágio, pro libero arbítrio, in, Agostinho. De peccato originalli, 14; texto traduzido em H Betterson, pp.88)
A fonte trás também a questão do livre arbítrio, é nele onde o homem pode desenvolver a sua moral e através de seus atos conquistar a sua salvação. Através do caminho da bondade.
Pelagianismo
Pelagianismo foi uma heresia pois se recusava a ideia do pecado original, ou seja o pecado que todos os seres humanos carregam por serem descendentes de Adão e Eva, que na cosmovisão cristã teria cometido o pecado de comer a fruta do conhecimento, indo de encontro com a ordem de Deus, nesta concepção este primeiro pecado seria passado de geração em geração através do sexo. Pelágio acreditava que o homem nascia livre, e que a salvação viria por meio do próprio homem e não seria necessário uma graça divina. Isto poderia ser a ruína da igreja pois se a salvação não dependesse de Deus e sim dos atos de benevolência dos homens, a igreja poderia então ser inutilizada, pois seria desnecessária. Podemos observar a essência desse pensamento na fonte a seguir:
“todas as coisas boas e más, que nos tornam dignos de louvor ou de censura, são feitas por nós, e não nascidas conosco. Não nascemos completamente desenvolvidos, mas capacitados para o bem e para o mal: fomos concebidos tanto sem virtude como sem vicio e, antes da atividade de nossa vontade pessoal, nada há em nós exceto aquilo que Deus depositou em nós”
(Pelágio, pro libero arbítrio, in, Agostinho. De peccato originalli, 14; texto traduzido em H Betterson, pp.88)
A fonte trás também a questão do livre arbítrio, é nele onde o homem pode desenvolver a sua moral e através de seus atos conquistar a sua salvação. Através do caminho da bondade.
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