Por que nós estudamos fatos, vida e obras de que já morreu faz tempo professor? Eu não preciso saber disso! Acredito que todos os estudantes de história ou não, já presenciaram ou mesmo perguntaram-se com argumentos como este, logo quando iniciei o primeiro semestre da faculdade de história, minha turma teve uma matéria chamada: “introdução ao estudo historiográfico” foi no estudo dessa matéria que percebi que as questões historiográficas são muito debatidas hoje em dia, por muitos historiadores, sinceramente na época foi meio confuso entender estes debates, pois ainda tinha as concepções que normalmente temos quando não nos aprofundamos em um assunto. Todas aquelas leituras e discussões em sala de aula foram a ignição para a minha reflexão. Não vou me aprofundar nas questões de importância da história para um povo e uma nação, mas é fato que a história é um pilar onde se sustenta a identidade de um povo e nação, onde o registro de epidemias e seu estudo é importante para melhorar as condições de prevenção. Meu objetivo aqui é trazer a discussão para a sala de aula, para todos os meus alunos, que futuramente serão historiadores ou não, mas esperamos que cidadãos com maior discernimento e senso crítico.
Uma modalidade que eu gosto muito dentro da história é o estudo das mentalidades, “história das mentalidades” Com ela podemos observar o modo de pensar de uma civilização, os seus costumes, tradições, religiões, rituais, neste estudo cultural podemos nos libertar das amarras pré estabelecidas por nossa própria civilização. É claro que a princípio ao estudarmos diversas civilizações e povos, é da nossa natureza “ocidentais, brasileiros, século XXI” encontrar estranhezas em seus costumes. Por exemplo no ensino fundamental, eu a principio uma criança cristã, ria da cara dos gregos e não conseguia entender o porque de alguém ser tão idiota para fazer oferenda para Zeus, ou Afrodite que seja. Mas hoje com uma maturidade maior, penso que talvez no futuro outra criança ria da cara das pessoas do nosso tempo que acreditam em Jesus. Ao me aprofundar nos estudos históricos observei diversas divindades, costumes, valores morais, que me fizeram questionar a legitimidade da nossa civilização e de suas bases , e isto foi muito bom, este estudo só tem a fortalecer o indivíduo como cidadão construtor de um mundo melhor. Um outro exemplo é relatado a nós pelos cronistas da época colonial, que os índios do novo continente faziam rituais onde eram praticada a antropofagia (ato de alimentar-se de uma parte, ou várias partes de um ser humano) nas vídeo aulas vocês poderão verificar como era feito este ritual mais detalhadamente, na época isto foi de grande espanto para os colonizadores e foi um dor argumentos para inferiorizar os índios, e desenvolver o seu projeto de colonização, que como sabemos hoje, mais de 500 anos depois, quase extinguiu todos os indígenas. A questão aqui não é crucificar ou santificar nenhuma civilização, e sim instigar o embrião da dúvida cada vez mais na sociedade.
O questionamento é libertador para o homem, o sábio não é aquele homem cheio de certezas, mas sim aquele com mais perguntas do que respostas. As nossas certezas mantém a sociedade em que vivemos como esta, intacta, somente através do nosso questionamento seremos capazes de transformá-la.
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