quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O perigo dos religiosos politizados.

Já faz algum tempo que foi divulgada uma notícia com o titulo “Projeto de lei cria “bolsa estupro” para evitar que mulheres façam aborto” ao ler a notícia fiquei indignado, não vou discutir aqui a questão do aborto, pois é muito complexa, mas quero expressar os motivos da minha indignação. Vamos entender melhor, este projeto visa conceder um auxilio financeiro para mulheres que sofreram abuso sexual e por ventura engravidaram do criminoso. Hoje no Brasil o único jeito de se fazer um aborto é nesta ocasião, quando a mulher engravida decorrente de abuso sexual, ou seja contra a sua vontade, inesperadamente. Este auxilio visa a mulher que após engravidar deseje dar a vida ao bebê, este projeto esta vinculado ao “estatuto do nascituro” que pretende futuramente eliminar por completo o direito de aborto, em nenhum caso será possível realizar aborto.
Agora pensemos qual é a motivação para seguir este caminho que os nossos deputados querem impor a nós? Ao ler a matéria deparei-me com a seguinte afirmação do deputado Henrique Afonso – PT:

"O aborto, para nós evangélicos, é um ato contra a vida em todos os casos, não importa se a mulher corre risco ou se foi estuprada", afirma o deputado Henrique Afonso. "Essa questão do Estado laico é muito debatida, tem gente que me diz que eu não devo legislar como cristão, mas é nisso que eu acredito e faço o que Deus manda, não consigo imaginar separar as duas coisas.”

Pronto chegamos ao ponto chave, a questão de não conseguir separar a sua religião e o que você acredita que Deus manda da realidade. É ai que esta o grande perigo, em primeiro lugar eu como pessoa não religiosa, observo como por exemplo os próprios evangélicos – protestantes se ramificam em diversas teologias e concepções sobre o evangelho, existem aqueles que pregam uma teologia de prosperidade aos seus fiéis, uma interpretação que vai de encontro com a nossa lógica de mercado atual, consumista e individualista. Outras igrejas já se focam nos milagres, algumas pregam o uso vestuários rígidos, pré determinados, conciliando também para aparência. Já outras assumem características mais liberais, como por exemplo não coibir uso de tatuagem, piercing etc. O fato é que existem diversas interpretações do livro tido como sagrado, dentro da própria religião, sem contar com as outras concepções de outras religiões, exemplo islamismo, judaísmo, budismo, etc. Como alguém pode afirmar que esta é a vontade de Deus? E transformar cada vez mais as leis do estado se baseando em suas concepções divinas. Não podemos aceitar essas imposições, caso contrário vamos viver uma teocracia, como por exemplo a do antigo Egito, e idade média, onde a igreja era o poder supremo.
Refletindo sobre o assunto eu percebi que o grande problema é que os religiosos possuem uma solução pronta para todos os problemas sócias, como de costume a grande maioria é simplista, e acredita o grande problema da sociedade é a “falta de Deus” na vida das pessoas. Eu entendo é perfeitamente plausível este argumento para um cristão ou religioso qualquer, mas não é somente isso, vivemos em um país onde existe uma grande impunidade, onde a lei tem dois pesos e duas medidas, com desigualdades, onde a educação das massas e a cultura que é oferecida não impulsiona para a mudança desta situação. É claro reconheço que a metodologia dos religiosos funcionam para certas pessoas, mas funcionam de maneira não libertadora, mas sim estagnadora, ou seja a pessoa continua no mundo, com os mesmos problemas, porém ela abdica desse mundo com promessas de pós vida. Isso com certeza impede as pessoas de cometerem crimes, temendo castigos divinos, porém esta metologia religiosa, é facilmente instrumentalizada para fins próprios. Onde o poder e as riquezas permanecerão nas mãos de poucos ainda. Caso os planos desses religiosos politizados seja concretizados, viveremos uma nova idade média.

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