quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Concepção e contexto histórico Gregório de Tours

Contexto histórico de Gregório de Tours

      Com a vitória dos exércitos germânicos (visigodos) sobre os exércitos romanos, houve um período de invasões que resultou em uma fragmentação do império romano, surgindo assim diversos reinos. Esses novos povos eram pagãos (ou seja, não eram cristãos) e consigo trouxeram seus costumes tradições e crenças. A igreja neste contexto serviu para unificar os dois povos, pois ela negava alguns aspectos da romanidade, mas mantinham outros. Porém com essa assimilação, algumas crenças pagãs adentraram no cristianismo, (como por exemplo as superstições.) alguma dessas crenças seria o chamado arianismo:  O arianismo era oposto a ideia de que a Trindade ( Filho, Pai , Espírito Santo) possui-se a mesma substância ou seja Jesus Cristo, então seria uma criatura de Deus e não o próprio Deus, isto o igualava a um semideus grego por exemplo, mas o tirava a condição de Deus absoluto.
       Isto ameaçava o poder hierárquico do clero, pois o que legitimava esta hierarquia era o texto bíblico que dizia que Jesus Cristo, havia dado autoridade aos apóstolos para (expelir demônios, curar, e difundir a sua doutrina) e esta autoridade passada assim para os Bispos. Negando Jesus como Deus absoluto, o arianismo então poderia renegar este poder divino do clero. Devido a isto o Arianismo era considerado heresia, e Gregório de Tours fazia duras criticas aos hereges “Quanto aqueles que dizem – Foi um tempo onde não existia ainda – eu os renego com execração e declaro que eles estão excluídos da igreja.”

Método

Aprendeu como estruturar formalmente o conteúdo do material historiográfico, com Eusébio que foi uma grande influência, o Gregório adquiriu a ideia de que existia um motor guia na história, algo que controlasse o destino dos impérios e as mudanças naturais, o motor guia seria então Deus. E para escrever a história dos Francos ele adotou este principio: De que a história politica e religiosa deveria ser contada sem distinção (como se elas fossem a mesma coisa) ( Como se o mundo e o sagrado estivessem interligados, interagindo entre si) (exemplo – acontecia um desastre natural era culpa de heresia de alguém)
“ Perseguindo o transcurso dos tempos, registraremos sem ordem e sem distinção tanto os milagres dos santos quanto os desastres dos povos. Com efeito, penso que deva ser considerado razoável nosso esforço em recontar a vida bem aventurada dos santos entre as dores dos desafortunados pois não é a comodidade do escritor, mas a sequência dos tempos que assim se exige” E devido ele acreditar que o destino sofresse interferência direta do sagrado, Gregório também acreditava que podia prever que o final dos tempos estava próximo, pois ele acreditava muito na figura do anti cristo que no texto bíblico surgiria próximo do final dos tempos., e no imaginário dele, ele criava diversos anti cristo, um exemplo: Aqui ele denunciava um camponês que a população atribuía o dom da cura e da adivinhação:

“ Por todas as Gálias surgiram muitas pessoas executando os mesmo prodígios, com os quais seduziam as pobres mulheres que, sem seu delírio, os proclamavam santos, considerando-os acima das pessoas comuns”

“Aquele do qual procede esta sorte de coisas, autor de todos os males, deve, no fim do mundo, se fazer passar por Cristo”
Uma característica do Gregório é a sua má gramática, as suas deficiências no latim, dificultou a clareza e os entendimentos das frases. Também possuía um certo anacronismo, ele não se preocupava em dar saltos no tempo para ressaltar aquilo que o interessasse no momento.

“ Malgrado esses livros terem sido escritos nun estilo inculto, conjuro todos os padres do Senhor que, após mim, indigno, governem a igreja de Tours. Eu os conjuro, pela vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, e pelo dia do terrível julgamento a todos os culpados: se não quiserem, no dia desse julgamento, vos verdes confundidos e condenados junto com o diabo, jamais destruam esses livros, nem permitam que sejam reescritos ditando certas partes e omitindo outras, mas os conserveis em sua integridade e sem alteração tais quais os deixamos”
Concepção de História

As obras de Gregório tem uma intenção de sacralizar o tempo, como ele mesclava a história dos homens com o sagrado, assim ele acabava afirmando a instituição da igreja, legitimando assim uma integridade espiritual e cultural. Isso também acabava com concepções partilhadas pela nova população que seriam os pagãos e assim ajudando em uma conversão maior para o Cristianismo.


Dicas de leitura:

Artigo da Revista do programa de pós-graduação em história, UFRGS, n° 12, 1999

Tempo, providência e apocalipse na História Francorum, de Gregório de Tours - José Rivair Macedo.

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