Já faz algum tempo que o governo esta com um projeto de incentivo ao desarmamento da população. Dificultando drasticamente os meios legais de se obter uma arma de fogo, e recompensando em dinheiro o individuo que entregar a sua arma a polícia. Esse debate sobre o desarmamento já é antigo, o que o governo realmente pretende com isso? Na propaganda do referendo que houve em 2005, sobre a proibição da comercialização de armas de fogo e munições no Brasil os argumentos seguiam uma lógicas simples, de que quantas menos armas em circulação, menos pessoas iriam ser assassinadas, e que a redução do número de armas de fogo reduziria também o acesso a elas pelos criminosos, e evitaria mortes por brigas, por exemplo, no transito, nos bares etc. Realmente podemos até concordar com esse argumento, mas diminuir o número de pessoas mortas é realmente bom para a sociedade como um todo? A questão pode chocar a principio, mas vamos esclarecer melhor esta ideia.
Primeiro devemos pensar a quem este tipo de politica interessa mais. É claro que diminuir os números de homicídios no país é uma coisa boa, principalmente para os políticos que poderão anunciar que o número de homicídios diminuiu em seu governo (mesmo que o número de latrocínio tenha aumentado, como por exemplo no caso de São Paulo). Quem faz a lei? No Brasil, pais democrático e representativo é o Poder Legislativo, mas quem é o Poder Legislativo? Fazem parte os senadores, os deputados federais e estaduais, e os vereadores. Em 2008 o senado aprovou aumento do número total de vereadores no Brasil de 51 mil para 57 mil, eles recebem salários em média de 3 a 11 mil reais, o valor varia de acordo com o número de habitantes de sua região. Os deputados federais ganham um salário de 26,700 reais (esse ano aprovaram aumento de 62%) fora os benefícios que incluem 13°, 14°,15° salários, auxilio moradia de 3 mil reais dentre outros benefícios que uma rápida busca na internet é possível encontrar , bom estou apenas entrando no nível dos salários que o estado paga, mas todos nós sabemos que a campanha eleitoral custa dinheiro e todo bom politico tem que ter uma parceria com alguém que tenha dinheiro para bancar, geralmente um empresário ou dono de industria, que com certeza não financiará a campanha de ninguém caso este politico não faça politica do interesse deste empresário, apenas uma troca de favores. Levando em consideração que o salário médio de todos os brasileiros é de aproximadamente 1600 reais (por ai) isto torna qualquer politico que tenha um cargo no legislativo uma pessoa com renda acima da média diante do resto. E eles são considerados autoridades, intocáveis. Os deputados e os vereadores andam pelas ruas e avenidas do país em seus carros do governo, blindados, motoristas e seguranças, e a sua renda os permite investir em segurança privada, que só a titulo de informação é um setor que lucra muito no pais (8,5 bilhões em 2010) e cresce entre 10% e 15% por ano, quem sabe talvez esta lei de desarmamento não seja bom para esses donos de grandes empresas de segurança não? Aqui já podemos notar que as pessoas que fazem as leis nesse país tem uma qualidade de vida superior a da maioria da população e que andam protegidos. Dificilmente vai ter seu patrimônio levado por criminosos e nem a sua casa em condomínio fechado invadida, ou seja pessoas de acesso dificultado, você não irá vê-los transitando por ai, no metro ou na rua de sua casa. Percebemos então que o poder de decisão esta na mãos desse tipo de indivíduo, que fazem politica para o interesse próprio e de grandes industrias, e o pior é que eles interferem diretamente na vida de todos, e são sustentados por todos os pagadores de impostos do país.
Violência vantagem para quem?
A minha intenção não é discutir a causa da violência no Brasil, e sim as consequências que ela causa, hoje temos aproximadamente 500 mil detentos no país (fora os que estão soltos), eu considero um número muito elevado. É claro ninguém é assaltado todo dia, ninguém leva um tiro ou é esfaqueado todo dia (eu espero), mas a sensação de insegurança é permanente em nossas vidas, hoje não se vê uma casa sem grades na janela, ou com muros cada vez mais altos, cercas elétricas, arames farpados, e qualquer coisa que possa nos oferecer segurança. Não quero aqui promover uma utopia, um mundo sem grades, sem assaltos, afinal somos seres humanos, ou seja seres racionais que pensam e falam, complexos e contraditórios. Não existe nenhum problema em reconhecer isso. Pois o que chamamos de sociedade é apenas um reflexo ampliado de tudo isso. Mas afinal essa violência e a sua consequente sensação de insegurança e medo dos indivíduos que a compõem, beneficia a quem? Não podemos condenar pois é natural de cada ser vivo deste planeta possuir uma natureza que os motive a sempre obter vantagens para si. Mas voltando a sociedade, se pararmos para pensar um pouco veremos que a violência pode beneficiar uns poucos sagazes que não estarão nem um pouco interessados em reduzi-la e transformar o mundo em um lugar mais tranquilo para se viver. Hoje pode-se comprar quase tudo com cartões de crédito ou débito que são mais seguros, pois evita que as pessoas andem com dinheiro em suas carteiras, claro existem outras vantagens de ter um desses cartões, mas acredito que o fator “segurança” foi um dos mais importantes para a popularização do mesmo, então aqui já temos um negócio. Uma outra necessidade gerada pela insegurança são justamente as seguradoras, elas asseguram de tudo, sua vida, seu veiculo, seu imóvel, etc. Quem compra um carro novo e não paga um seguro? É taxado de louco, e realmente é, pois o risco de perder o seu bem é grande. O brasileiro é um dos povos que tem a maior carga horária de trabalho do mundo, só mesmo quem trabalha 6 dias por semana, 8,20 horas por dia sabe o quanto é difícil de se conseguir dinheiro. Eu acredito que quando uma pessoa é roubada e perde um bem de valor como um automóvel que foi muito custoso de se comprar, ela não apenas perde um bem material, mas sim parte de sua vida. Imagina quantas horas essa pessoa passou em um lugar onde não gostaria de estar, fazendo algo que não gostaria de fazer e com pessoas que ele não gostaria de conhecer. É claro ele não vai preferir arriscar, então pagará um seguro para seu veiculo, pagará uma anuidade de seu cartão e todas as outras taxas, colocará uma grade em sua janela, e todas as coisas que o faça se sentir mais seguro. Com essa atitude acabará da mesma maneira tendo um custo, só que o dinheiro dele não irá para o criminoso e sim para a assegurada e os cartões de crédito etc. E essas corporações irão financiar políticos para defenderem os seus interesses, entramos assim em um ciclo, onde não existe saída e nem escolha. Até aqui eu só citei os bens materiais, mas não precisamos imaginar, provavelmente você já viu algum caso em que um bandido armado entra em uma residência e barbariza como bem entender, e infelizmente esta politica publica esta cada vez mais deixando o cidadão de bem ou seja, aquele que paga os seus impostos, que não tem a intenção de usurpar as pessoas alheias, mais incapaz de se defender e escolher entre fazer a sua própria segurança ou deixar na mãos de terceiros. E infelizmente esses só estão preocupados consigo, como todo ser humano. Vamos propor uma alternativa.
Consequências sociais do desarmamento e a busca por uma concepção diferente:
Antes vamos pensar nas consequências que a população brasileira vem sofrendo com este tipo de politica publica. Acredito que seja consenso comum que uma arma tem consigo um poder especifico, isso é devido a sua capacidade de acabar com vidas de uma maneira muito rápida e fácil, e isso fascina o homem, todos que a pegam pela primeira vez sentem esse poder. Quem hoje possui o maior acervo bélico do Brasil? Naturalmente deve-se esperar que seja o próprio estado, com os seus recursos de defesa, exército, marinha, aeronáutica e as forças policias do país todo. Talvez depois o segundo lugar esteja com o setor privado ou com os traficantes. Na constituição o estado esta a serviço do cidadão de bem, mas vocês sentem que o estado age motivado pelo interesse do bem de todos? Poderíamos escrever um livro somente citando exemplos em que a máquina publica age em defesa de um interesse único, egoísta e de minorias. Pois o estado é composto por seres humanos, é este o problema do estado. Mas agora pensemos em um dia que as pessoas se cansarem de ficar em segundo plano, de serem exploradas pelo terceiro. Bom aqui no Brasil é difícil de imaginar já que faz parte da cultura ser anestesiado e passivo aos problemas da vida, podemos discutir a origem disso em outro artigo, mas vamos ficar nesta hipótese agora. Caso ocorra uma futura crise no pais onde exista um insurreição, imaginemos, vamos sair as ruas com as caras pintadas e tomar tiro dos militares? Ou vamos pegar armas emprestadas dos traficantes e pedir ajuda a eles para conduzir a nossa revolução? É claro que tal pegar alguns m-16 dos USA? E o que daremos em troca? Mas voltamos a realidade, em caso de histeria coletiva, é imaginem senhores um apagão prolongado, eu acredito que os policiais não vai deixar as suas famílias sozinhas para ir proteger a sua. E quando for cada um por si? Tá eu sei é catastrófico sim, mas impossível não.
Tirando a capa superficial desta campanha pró desarmamento, podemos enxergar com nitidez uma retirada de um poder, o poder de decidir o seu próprio destino ao individuo o poder de não deixarem as duas vidas serem conduzidas por terceiros cujo somente importa os interesses próprios e dos grandes senhores do capital. O poder de deixar de assistir passivamente as suas vidas e a de seus familiares serem ameaçadas e destruídas por um vagabundo qualquer. De terem os seus bens roubados e pilhados ou de terem que se render as industrias de segurança.
O poder das armas, um mundo mais justo:
Vamos usar a imaginação agora, criemos um mundo diferente, uma utopia. Imagem que ao acordar pela manhã, você terá uma arma consigo e poderá levá-la na cintura para quase todos os lugares. E não estranhe porque todas as pessoas fazem o mesmo. E todos sabem manusear o instrumento pois aprenderam na escola. É cedo, ou seja, você terá que ir trabalhar, de banho e café tomado é hora de dirigir até o trabalho, no meio do caminho você percebe que o trânsito parece estar mais “educado” ninguém ousa fechar ninguém, caso isso ocorra as pessoas se desculpam como pessoas civilizadas, estranho né? Ninguém mais ousa ofender os outros motoristas, será que é por que eles sabem que caso faça isso poderá arrumar uma briga e levar um tiro já que todos andam armados por ai? Ao voltar a noite do trabalho você para naquele farol onde geralmente sente um frio na barriga e um sensação desconfortável de insegurança, pois já foi vitima de assalto. Mas não deverá se preocupar, pois nesse mundo se alguém ver uma situação desse tipo poderá atirar pelas costas do desgraçado, assim ninguém se atreve mais a assaltar nas esquinas, nem nos bares, restaurantes em ônibus muito menos. E eles temem entrar em sua casa pois sabem que encontrará problemas com essa atitude. Os estupradores não vão ter mais vitimas indefesas sem chances de reação. E os valentões? Os estouradinhos, bem esses não resistiram a seleção natural, pois viviam entrando em sangrentos tiroteio com as pessoas de bom senso. E os políticos egoístas? Eles não receberam mais ajuda do setor privado de segurança, devido a crise financeira desencadeada pela falta e interesse das pessoas em pagarem seguros e as taxas dos cartões de crédito. E ficaram com medo dos protestos causados pelas suas decisões que favoreciam a sua família. Com o passar dos anos, os criminosos seriam extintos da população, os políticos ruins também, e não existirão mega empresários do setor privado de segurança. Mas rá, é apenas uma utopia.
É claro estamos longe disso, de um mundo perfeito. Mas eu quero ter o direito de me proteger, de proteger a minha família, de proteger o meu carro, a minha casa, o meu cachorro e de tudo o que eu acredito.
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